quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Na zona rural... um consultório

Depois de algum tempo de espera e um longo caminho, chegamos. É um consultório popular em zona rural. Rua de terra casas simples em pequenos aglomerados.
A sala de espera está cheia. Idosos, adultos e crianças. Na maior parte mulheres e crianças pequenas. Pequenas e vivazes, apesar de uma ou outra enfermidade, brincam e correm de um lado para outro.

Sou apresentado à equipe: 1 auxiliar de enfermagem e 1 médico. Este, extremamente solícito, pára seus atendimentos e explica-me tudo o que faz por ali. Em termos organizacionais é muito semelhante ao consultório que fui no começo da semana. A populçao atendida é bem maior. A área de referência seria apenas aquela comunidade, cerca de 250 famílias, mas 5 comunidades cercanas também acessam este consultório. A equipe adotou as outras comunidades, desdobrando-se para fazer as visitas domiciliares nestas outras comunidades também.
Dedicaçao e desdobramento sao as palavras para esse médico. O mesmo nao pára nem mesmo para almoçar. Deveria atender apenas até a 1 horas, mas segue por mais quantas horas sejam necessárias.
Por ali existe dificuldade com o envolvimento da comunidade. Como nao existem profissionais específicos para isso, seriam os voluntários que fariam, acabam tendo dificuldades como quesitos como a faxina do ambiente. Mesmo assim, a situaçao segue sob controle.
As crianças me olham com curiosidade. Talvez seja por causa da barba. De fato, pela rua, nao vi homens de barba por aqui ainda...

Os pacientes que estao na espera querem saber de mim. O que faço ali? Vou ficar? Quem sou eu? Enfim, as perguntas de praxe. Isso desenlaça uma boa conversa. Este consultório popular já existe há mais de 20 anos. Anteriormente era um ambulatório rural, aparentemente de tipo I. Por muito tempo ficaram sem médico algum por ali, a assistência era prestada por um profissional de enfermagem. Todavia, chegaram a ficar 2 anos com o serviço fechado por total ausência de profissionais. Há cerca de 5 anos chegaram os médicos cubanos. Relatam que a presença deles foi muito benvinda e ajudou muito à comunidade! Falam com saudades e alegria da presença deste profissionais por ali. Há pouco tempo um CDI foi construído em outra comunidade próxima dali, estes médicos cubanos foram para lá e no seu lugar chegou este companheiro venezuelano.

Este por sua vez, era um cirurgiao formado já há algum tempo, topou o projeto e fez sua especializaçao em Medicina Geral e Integral (como já mencionado, programa que veio com o Barrio Adentro), indo trabalhar nesta comunidade após formado. Parece-me que está muito satisfeito, pelo menos é o que deduzo de sua dedicaçao ao atender seus pacientes. Chama-me a atençao a prescriçao de medicamentos fitoterápicos. Ótimo. Sem dúvido um belo trabalho.


Claro que tem lá seus problemas. A populaçao atendida é muito grande para aquela equipe. Apesar de todo gosto no trabalho, em algum momento deve levar os trabalhadores a um esgotamento. Em alguns momentos já dificulta a realizaçao de visitas domiciliares. Necessita de mais condiçoes estruturais, de pessoal e de mais apoio ativo da comunidade. Caso continue nessa situaçao, em momento ou outro necessitará de agendamento mais sistemático dos pacientes.

Um comentário:

Ana disse...

Sempre te disse que as crianças não gostam de homens de barba, rs!