domingo, 2 de novembro de 2008

Começamos!!

(texto escrito ontem de tarde)

Buenas!

Esta será a primeira publicaçao do blog, desde quando estou na Venezuela. Foi um pouco difícil nestes primeiros dias conseguir sentar ao computador. Vamos direto ao assunto porque tenho pouco tempo. É hora do almoço e também tenho que comer! Difícil escrever em português e ouvir em espanhol!! Ah! Nao reparem! Nao estou achando alguns acentos neste teclado.


Dia 30/10 peguei o onibus para Sao Paulo as 4:30. Fui dormir aqui na Venezuela já eram 2:00 da manha! 24 horas viajando! Cheguei em Caracas as 16, pegamos um companheiro mais no centro da cidade e depois viemos para Barquisimeto de carro. Muchas, muchas gracias China!!! Muito transito, até muitos kilometros depois de termos saído de Caracas. Depois chuva forte! Assim foi que demoramos muito para chegar. Ainda antes de dormir acabei conversando um pouco com o companheiro Arello sobre saúde do trabalhador. Nao sei se pelo cansaço ou se pela transiçao para o espanhol, mas nao me lembro mais nada! Perdón compañero.

Dia 31/10 começa o XVII Encuentro Regional de Salud de trabajadores y trabajadoras do Estado Lara. Auditório lotado! Quase todos sao trabalhadores, sao delegados de prevençao, como chamam aquí. Metade sao eleitos pelos companheiros e outra metade indicada pelos empregadores. A abertura é emocionante! Após algumas falas, alguém lembra que é necessário cantar o hino. Nao! Nao ha musica, nao tem nada acompanhando! As 500 pessoas cantam forte, tirando o hino de dentro de si! Cantam de cor, com orgulho! É de arrepiar! Depois, de forma espontanea discursam sobre a historia de libertaçao de seu povo e sobre como agora enfrentam o imperialismo norteamericano. Em seguida gritos de ordem sao evocados com muita força e igualmente repetidos por todos. Arrepio-me de novo! Movimentos sociais brasileiros, onde estao? É tudo que penso nessa hora!


O dia segue neste clima! Fico muito cansado, nao sei se pelas horas acumuladas sem dormir ou se pelo esforço mental de escutar, falar e pensar em espanhol. A noite mudo minhas coisas para um hotel, onde devo ficar apenas nesta ultima noite que se passou. Algumas aventuras no caminho. O óleo do carro vazou e ficamos em um posto de gasolina fechado, na frente de um cemitério! Hehehe ok! Vamos tomar cerveja em um bairro boêmio, ao som de bolero! Lindíssimo. Mas meu cansaço é maior. Também nao sei se pelas horas sem dormir e pelo dia extenso ou se pela grande saudade em que me pego. Muita saudade de minha Nina! Minha parceira de boleros!

01/11, acordo com a cabeça em portugues! Até que volte a entender as coisas leva-se algum tempo! Mas acho que hoje ja estou me virando bem melhor! Vou tomar o café da manha com os companheiros Arello, Judit e Cecilia, em um mercado. Nao peçam que me lembre de todos os nomes das comidas típicas! Ainda está difícil reter uma boa memória das conversas. Trocamos muitas idéias sobre como está o SUS brasileiro e como tem-se estruturado o serviço publico de saude por aqui. Ah! Talvez tenha sido enfático demais quando tocam no assunto da Amazônia. Remetem ao fato de também terem escutado que nos EUA estao ensinando geografia com a amazônia fora do Brasil, como zona de proteçao internacional. Dissem que jamais abriremos mao da Amazonia! Que isso jamais sera possivel! Espero que esse nao abrir mao seja mais do que uma opiniao pessoal. Durante o dia, o segundo do evento, tiveram grupos de trabalho. Chama-me a atencao e me da muito orgulho ve-los citando Paulo Freire varias vezes. Sim, sei que estou devendo contar algumas coisas do campo da Saúde Coletiva e das outras coisas que começo a estudar por aqui, mas teremos tempo. E preciso sistematizar melhor o que tenho visto. De toda forma adianto que desenha-se um cronograma muito interessante e que em breve devo ter muitas coisas para pôr aqui. Uma frase importante escutada ontem (31/10): "los que mueren por la vida no pueden llamarse muertos…"

Agora esta parte estou escrevendo hoje!


Ficamos de manha nos trabalhos em grupo (ah! continuo sem achar o tiu! hehehe). Mecanica muito parecida do que fazemos habitualmente no movimento estudantil ou nas nossas atividades na Saúde Coletiva. De tarde, a plenária final.

Pude acompanhar momentos de construçao coletiva importantíssimos! Riquíssimos!

Repercute a idéia do controle social! Grandes intervençoes de Fátima (professora da UERJ que veio para o encontro e para dar algumas aulas por aqui! Tem sido grande companheira!).
"Só podemos falar na erradicaçao do trabalho infantil quando pudermos falar na erradicaçao da pobreza!" Fala da representante das crianças e adolescentes trabalhadores.

Alguns gritos de ordem:
"la clase obrera unida, jamás será vencida"
"¡alerta! ¡alerta! ¡Alerta que camina, a espada de Bolívar por la America Latina!" (nao sabe quem é Bolivar? Quem mandou ater-se as aulas de história do colegio! Vá estudar a história da América Latina!!!!!)

De noite um show belíssimo com música típica, de conteúdo militante. Era em comemoraçao dos 29 anos de um programa de rádio com esta temática. E de novo temos um auditório lotado! Pessoas empolgadas, cantando com muita empolgaçao, de cor, todas as músicas! Quando estamos nos aproximando do final do show, a companheira Olga chama a atençao para que olhemos para uma pessoa. Uma idosinha, deveria chegar perto de uns 90 anos. Baixinha velhinha, fofinha. Dançava, cantava. Seus suspiros de vida dedicados a ouvir e cantar aquela música! Música que parecia fazer parte dela, que parecia dar mais força a seus músculos cansados, fazendo-a dançar!

Lindo!


Francisco, Olga e otros compañeros venezoelanos, muchas gracias por su hospitalidad. Pido que tengan paciencia con mi portunhol. En breve escribo textos en español para que vosotros puedan participar más.

Gracias

6 comentários:

Jú Pacheco disse...

Que texto lindo, Bruninho amado!!
Não apenas pela linda declaração à Paulete, mas por todo afeto!
E páre de se desculpar pela 'falta de conteúdo'... o melhor aprendizado é aquele que passa pelo corpo e pelas afetações de todas as ordens! Pode ser um bom aprendizado para um sanitarista formado entre as amarras da medicina e da militância do combate duro, deixar-se levar pelas afetos sem destino dos encontros!

Bom começo de caminhada!

Vou sentir sua falta no Coloquio de Foucault!!

Jú Pacheco disse...

Ah sim!
Sabia que comemora-se o dia dos mortos por esta semana, no México?!

Lembrei por conta da frase:
"los que mueren por la vida no pueden llamarse muertos…"

M Regina Mariani disse...

Oi Filhote, não se incomode esta acomodação das linguas é normal; daqui a pouco estará escrevendo aki em portunhol e nós entenderemos. Beijos. TE AMO MUITO

Kátia disse...

Oi, JC, tambem achei o texto muito bom, tirando a parte que vc está cansado.........
Vai tirar de letra, sucesso
bjos
Kátia

Bruno Mariani Azevedo disse...

Gracias pessoal!!
Porque só nao gostou da parte em que eu estou cansado??
Besos a todos

Nina disse...

Lindo texto!

Vejo que está tendo belos encontros!! fiquei feliz em saber de todas as suas experiências, é bom saber que se pode encontrar pessoas celebrando seu trabalho e suas idéias com música, dança e expressão!!! Você pode imaginar que me emocionei ao ler seu lindo relato sobre essa idosa que bailava na festa dos 29 anos do programa de rádio que segue militando!!! Muito lindo!! Parabéns!